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CARL G. JUNG E O MISTÉRIO DA SOLITUDE

Carl Jung acreditava que nossa orientação para o mundo era um aspecto fundamental de nossa personalidade. Jung identificou as duas maneiras opostas em que nos adaptamos ou nos orientamos para o mundo. Aqui estão as atitudes de Jung de Extroversão e Introversão.

Extroversão

– Nossa energia move-se para o mundo exterior de pessoas, lugares e coisas; O mundo fora de nós.
Introversão

– Nossa energia move-se para o mundo interior de pensamentos e idéias; O mundo dentro de nós.

  • Solidão versus Solitude
    Como seres humanos, somos criaturas sociais e, sem outros que nos rodeiam desde o nascimento, não seríamos capazes de permanecer vivos neste mundo. O espaço social desempenha um papel crucial no desenvolvimento de nossa personalidade, pois a direção de nosso desenvolvimento é determinada pelas expectativas das outras pessoas e nosso desejo de satisfazer essas expectativas. É assim que nos tornamos parte de um espaço social coletivo, chamado sociedade, e a sociedade recebe sua natureza especial da cultura que representa. O livro de nossa história pessoal está escrito neste espaço social, e nossa identidade é construída sobre o fundamento de nossa história pessoal. Estamos rodeados por outras pessoas, e suas expectativas e exigências estão presentes em nossa mente quando estamos sozinhos. A maioria das pessoas não entende a diferença entre a solitude e a solidão.
    A solitude é ao mesmo tempo solidão para nós. As duas palavras, no entanto, significam duas situações diferentes.
    A solidão é o estado da mente, enquanto a solitude é o estado da Consciência.
    No estado isolado de consciência da mente dominada pelo ego, não gostamos de ficar sozinhos, quando estamos sozinhos, achamos que estamos solitários, achamos difícil tolerá-lo, tentamos evitá-lo. Como fazemos isso, depende de nossos tipos de atitude.

    - Extroversão versus Introversão
    As pessoas extrovertidas se concentram principalmente na vida social. Quando estamos sozinhos, buscamos amigos, vamos a festas, porque gostamos de compartilhar nossos prazeres e tristezas com os outros.

    Pessoas introvertidas, por outro lado, toleram muito mais a solidão, gostam de ficar sozinhas. Elas se voltam para o seu mundo interno (pensamentos e emoções). Elas não estão sozinhas, uma vez que, outras pessoas estão presentes em sua mente na forma de suas opiniões e expectativas. Quando se voltam para dentro, falam, discutem com as opiniões dos outros e analisam as reações dos outros. Para um observador externo, uma pessoa introvertida pode parecer estar sozinha, mas geralmente há um pequeno grupo na cabeça desta pessoa. Quando as pessoa introvertidas estão sozinhas, elas tentam encontrar alguma atividade para se ocuparem a fim de evitar os sentimentos desagradáveis ​​que vêm com a solidão. Elas são capazes de assistir TV por horas, ou usar o trabalho como uma rota de fuga.

    - O Dom da Solidão
    Por que as pessoas fogem tão desesperadamente da solidão, de estarem sozinhas? Porque não nos conhecemos, então não gostamos de ficar sozinhos. Quando estamos solitários, temos de enfrentar o fato de que toda a nossa personalidade é pretensa, e toda a nossa identidade é construída sobre bases falsas. Mesmo que essas frases não sejam formuladas tão especificamente em nossa mente quando estamos por conta própria, a ansiedade e a depressão que nos superam significam que há algo errado conosco. Sentimo-nos solitários, então escapamos para encontrar abrigo na companhia dos outros ou em nossos próprios pensamentos das emoções negativas. Sentimo-nos solitários porque estamos cheios de insistência. Insistimos na nossa identidade pessoal, na nossa própria história, na qual os papéis principais são sempre desempenhados pelos outros. A solidão é uma ameaça aos fundamentos da nossa identidade. É verdade que durante a nossa vida estamos muitas vezes rodeados por outras pessoas, e a vivemos como membros da sociedade, mas no fundo permanecemos separados, como indivíduos isolados durante toda a nossa vida. Bem no fundo, nascemos sozinhos, moramos sozinhos e morremos sozinhos. Estar só desta forma é um estado que interpretamos como solidão.

    Somente com o despertar da Consciência seremos capazes de pôr fim a esse sentimento de solidão, enraizado em nosso isolamento original. Somente quando experimentamos esse milagre, reconhecemos que a solidão é o nosso estado natural, no qual a independência, ainda brilha toda nossa penetrante Presença.

 Carl J. Jung

 

 

LAO TSÉ E A SABEDORIA QUE A TUDO PRODUZ E COM NADA FICA

Só temos consciência do belo, Quando conhecemos o feio.

Só temos consciência do bom, Quando conhecemos o mau.

Porquanto, o Ser e o Existir, Se engendram mutuamente.
O fácil e o difícil se completam.

O grande e o pequeno são complementares.

O alto e o baixo formam um todo.

O som e o silêncio formam a harmonia.

O passado e o futuro geram o tempo.

Eis porque o sábio age, Pelo não-agir.

E ensina sem falar.

Aceita tudo que lhe acontece.

Produz tudo e não fica com nada.

O sábio tudo realiza – e nada considera seu.

Tudo faz – e não se apega à sua obra.

Não se prende aos frutos da sua atividade.

Termina a sua obra, E está sempre no princípio. E por isso a sua obra prospera.

– Lao-Tsé

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